Copiado: Marie Claire – Ed. 246
Por: Mayra Stachuk
“Depois de diminuir o uso da
gordura que leva os índices de colesterol às alturas, médicos iniciam nova
batalha contra a indústria alimentícia e os maus hábitos da população e
alertam: o excesso de sódio também faz mal (muito mal) à saúde.”
Foi-se
o tempo em que buscávamos no rótulo dos alimentos apenas as calorias. Hoje, é
preciso prestar atenção numa série de elementos antes de se consumir um produto
industrializado – e pensar na saúde tanto quanto no paladar ou na silhueta. Primeiro foi a vez da gordura trans, apontada
pelos especialistas como a principal responsável pelos altos índices de
colesterol ruim e, conseqüentemente, pelo aumento do risco de infarto (a
gordura entope as artérias). Poucos anos depois das primeiras campanhas e com a
conscientização da população - esse tipo de gordura foi praticamente eliminada
dos produtos e sua ausência aparece com destaque nas embalagens. Agora, o
“grande vilão” é o sódio, encontrado em praticamente todo tipo de alimento (e
até bebida) industrializado, da sopa de pacote até a Coca Zero. E chegou a hora
de médicos voltarem as forças contra seu excesso alertarem para os perigos que ele representa. “A primeira advertência é
para o risco de hipertensão, que, por sua vez, pode desencadear complicações
mais graves, como derrames e infartos”, afirma a nefrologista Frida Plavnik, da
Sociedade Brasileira de Hipertensão. Segundo ela, um erro comum é o de se achar
que quem tem pressão normal ou baixa está livre de ameaça. “Essas pessoas estão
menos suscetíveis, mas não são imunes. Podem ter a pressão normal a vida toda
e, de repente, subir, principalmente após os 40 anos. Além disso, o excesso de
sódio no sangue eleva as chances de se desenvolver doenças que independem da
pressão arterial, como cálculo renal, câncer no estômago e até mau
funcionamento da tireóide”, diz ela.
Saleiro – Fora da Mesa
É preciso,
entretanto, esclarecer uma série dúvidas sobre o sódio, começando pela mais
básica delas: qual é a diferença entre esse ingrediente e o sal de cozinha? É a
mesma coisa? “O sal de cozinha é cloreto de sódio, uma das formas de sódio, um
elemento de origem mineral”, diz o cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, do
Hospital Oswaldo Cruz. “O sódio (elemento) é um dos principais e melhores
conservantes, por isso está presente em tudo o que é industrializado. Mas
exagera-se e é esse o alerta que estamos fazendo. A população deve cobrar
mudanças como aconteceu com a gordura trans”, diz. O médico cita como exemplo
uma comparação que fez entre duas marcas de salsicha que tinham na embalagem o
mesmo tempo de duração, mas uma continha três vezes mais sódio na fórmula do
que outra. “Se a data de fabricação e de validade de ambas é a mesma, prova que
é possível conservar aquele alimento com uma quantidade menor de sódio. Mas,
como até agora não se prestava atenção nisso, ninguém se deu trabalho de testar
a quantidade mínima que poderia ser usada sem comprometer a duração da comida
nem a saúde de quem a ingere”, afirma.
Outra dúvida
ainda comum Ed em relação à quantidade de sódio que se pode ingerir e para que
ele é importante. “O sódio é essencial para o funcionamento de diversas funções
vitais do organismo, como condução dos impulsos nervosos, a contração muscular
e a regulação plasmática (água no sangue) e sua deficiência pode trazer
problemas como fraqueza, letargia e até convulsões”, diz a endocrinologista
Luciana Ferreira Cavalcante. Assim como o excesso pode causar retenção de líquidos
além problemas de saúde – como o terrível inchaço.
A recomendação
da Organização Mundial da Saúde (OMS) é para o consumo diário de no máximo, 5
gramas de sal por dia (ou duas colheres de café), o equivalemente a mais ou menos 2,4 gramas de sódio – de
acordo com a ANVISA, no Brasil, consome-se, em média, 12g de sal por dia. “E o
sódio não aparece só na forma de conservante, ele está também em alimentos
dietéticos, já que são adoçados com ciclamato de sódio em substituição ao
açúcar”, diz Luiz Bortolotto. Por isso, de nada adianta escolher o menos
calórico e mais rico em sódio. É trocar um vilão por outro. “Minha dica, além
de ficar de olho nas embalagens dos produtos, é nunca levar o saleiro à mesa. A
tendência é sempre querermos colocar um pouquinho mais”, diz Luciana. Ela
recomenda o uso de ervas e temperos naturais, como alho, cebola e pimentas para
dar mais sabor à comida feita em casa.
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OLHO NO RÓTULO
Valor de sódio em
MG por 100g de alimento
Recomendação
diária: 2,4g
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Sal light
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23.432
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Caldo de galinha (em tabletes)
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22.300
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Caldo de carne (em tabletes)
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22.180
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Fermento em pó químico
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10.052
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Shoyu
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5.024
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Sal grosso
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3.994
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Queijo parmesão
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1.844
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Azeitona preta
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1.567
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Macarrão instantâneo
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1.516
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Lingüiça de porco grelhada
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1.456
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Azeitona verde
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1.347
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Massa de pastel (crua)
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1.344
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Hambúrguer bovino (frito)
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1.252
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Cereais, mistura para vitamina,
trigo, cevada e aveia
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1.163
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Margarina com sal
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894
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Biscoito salgado tipo cream
craker
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854
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Maionese
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787
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Pão de queijo assado
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773
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Pão francês
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648
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Batata industrializada (tipo
chips)
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607
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Requeijão cremoso
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558
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Coxinha de frango frita
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532
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Empada de frango assada
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525
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Palmito em conserva
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514
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Molho de tomate industrializado
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418
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