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sábado, 5 de novembro de 2011

O sódio é a nova gordura TRANS

Copiado: Marie Claire – Ed. 246
Por: Mayra Stachuk


“Depois de diminuir o uso da gordura que leva os índices de colesterol às alturas, médicos iniciam nova batalha contra a indústria alimentícia e os maus hábitos da população e alertam: o excesso de sódio também faz mal (muito mal) à saúde.”

            Foi-se o tempo em que buscávamos no rótulo dos alimentos apenas as calorias. Hoje, é preciso prestar atenção numa série de elementos antes de se consumir um produto industrializado – e pensar na saúde tanto quanto no paladar ou na silhueta.  Primeiro foi a vez da gordura trans, apontada pelos especialistas como a principal responsável pelos altos índices de colesterol ruim e, conseqüentemente, pelo aumento do risco de infarto (a gordura entope as artérias). Poucos anos depois das primeiras campanhas e com a conscientização da população - esse tipo de gordura foi praticamente eliminada dos produtos e sua ausência aparece com destaque nas embalagens. Agora, o “grande vilão” é o sódio, encontrado em praticamente todo tipo de alimento (e até bebida) industrializado, da sopa de pacote até a Coca Zero. E chegou a hora de médicos voltarem as forças contra seu excesso alertarem para os perigos  que ele representa. “A primeira advertência é para o risco de hipertensão, que, por sua vez, pode desencadear complicações mais graves, como derrames e infartos”, afirma a nefrologista Frida Plavnik, da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Segundo ela, um erro comum é o de se achar que quem tem pressão normal ou baixa está livre de ameaça. “Essas pessoas estão menos suscetíveis, mas não são imunes. Podem ter a pressão normal a vida toda e, de repente, subir, principalmente após os 40 anos. Além disso, o excesso de sódio no sangue eleva as chances de se desenvolver doenças que independem da pressão arterial, como cálculo renal, câncer no estômago e até mau funcionamento da tireóide”, diz ela.



Saleiro – Fora da Mesa

É preciso, entretanto, esclarecer uma série dúvidas sobre o sódio, começando pela mais básica delas: qual é a diferença entre esse ingrediente e o sal de cozinha? É a mesma coisa? “O sal de cozinha é cloreto de sódio, uma das formas de sódio, um elemento de origem mineral”, diz o cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, do Hospital Oswaldo Cruz. “O sódio (elemento) é um dos principais e melhores conservantes, por isso está presente em tudo o que é industrializado. Mas exagera-se e é esse o alerta que estamos fazendo. A população deve cobrar mudanças como aconteceu com a gordura trans”, diz. O médico cita como exemplo uma comparação que fez entre duas marcas de salsicha que tinham na embalagem o mesmo tempo de duração, mas uma continha três vezes mais sódio na fórmula do que outra. “Se a data de fabricação e de validade de ambas é a mesma, prova que é possível conservar aquele alimento com uma quantidade menor de sódio. Mas, como até agora não se prestava atenção nisso, ninguém se deu trabalho de testar a quantidade mínima que poderia ser usada sem comprometer a duração da comida nem a saúde de quem a ingere”, afirma.

Outra dúvida ainda comum Ed em relação à quantidade de sódio que se pode ingerir e para que ele é importante. “O sódio é essencial para o funcionamento de diversas funções vitais do organismo, como condução dos impulsos nervosos, a contração muscular e a regulação plasmática (água no sangue) e sua deficiência pode trazer problemas como fraqueza, letargia e até convulsões”, diz a endocrinologista Luciana Ferreira Cavalcante. Assim como o excesso pode causar retenção de líquidos além problemas de saúde – como o terrível inchaço.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é para o consumo diário de no máximo, 5 gramas de sal por dia (ou duas colheres de café), o equivalemente  a mais ou menos 2,4 gramas de sódio – de acordo com a ANVISA, no Brasil, consome-se, em média, 12g de sal por dia. “E o sódio não aparece só na forma de conservante, ele está também em alimentos dietéticos, já que são adoçados com ciclamato de sódio em substituição ao açúcar”, diz Luiz Bortolotto. Por isso, de nada adianta escolher o menos calórico e mais rico em sódio. É trocar um vilão por outro. “Minha dica, além de ficar de olho nas embalagens dos produtos, é nunca levar o saleiro à mesa. A tendência é sempre querermos colocar um pouquinho mais”, diz Luciana. Ela recomenda o uso de ervas e temperos naturais, como alho, cebola e pimentas para dar mais sabor à comida feita em casa.



OLHO NO RÓTULO
Valor de sódio em MG por 100g de alimento
Recomendação diária: 2,4g
Sal light
23.432
Caldo de galinha (em tabletes)
22.300
Caldo de carne (em tabletes)
22.180
Fermento em pó químico
10.052
Shoyu
5.024
Sal grosso
3.994
Queijo parmesão
1.844
Azeitona preta
1.567
Macarrão instantâneo
1.516
Lingüiça de porco grelhada
1.456
Azeitona verde
1.347
Massa de pastel (crua)
1.344
Hambúrguer bovino (frito)
1.252
Cereais, mistura para vitamina, trigo, cevada e aveia
1.163
Margarina com sal
894
Biscoito salgado tipo cream craker
854
Maionese
787
Pão de queijo assado
773
Pão francês
648
Batata industrializada (tipo chips)
607
Requeijão cremoso
558
Coxinha de frango frita
532
Empada de frango assada
525
Palmito em conserva
514
Molho de tomate industrializado
418

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